Duas Cooperadoras da Família a caminho de Cabinda

Duas Cooperadoras da Família a caminho de Cabinda
Há 20 anos que as Cooperadoras da Família desenvolvem missão em Cabinda. Um projeto que conta atualmente com uma escola com cerca de 700 crianças.

Ainda não sabem a data de partida mas encaram a nova missão com um misto de ansiedade, alegria e expectativa. Maria Páscoa Fonseca e Carla Mão de Ferro vão partir brevemente para Cabinda para darem continuidade à missão que as Cooperadoras da Família desenvolvem naquela diocese angolana. 

“É um retorno a casa, ao meu continente, e é um retorno a um lugar onde já estive há muitos anos”, conta Páscoa Fonseca, uma cabo-verdiana de 60 anos, que aos 20 anos se apaixonou pelo carisma de Monsenhor Joaquim Alves Brás. 

Foi ela que no ano 2000, juntamente com mais duas Cooperadoras, ajudou a implementar a missão em Cabinda à qual deram o nome FIDASE – Formação, Integração, Desenvolvimento e Ação Social.

Passados 20 anos, o projeto foi-se transformando e adaptando às necessidades das populações locais. “Na altura, o projeto nasceu com o objetivo de promover a formação da mulher no seio da família. Era uma forma de educar a mulher para cuidar dos filhos, orientar a vida doméstica, etc.”, explicou Páscoa Fonseca. 

Hoje a formação e a promoção do povo angolano através da família continua a ser uma prioridade desta missão mas é feita através de uma escola, a Escola Missionário Brazita, com cerca de 700 crianças da pré-primária à 8ª classe. “É a educação a partir da primeira idade”, conta Páscoa, “mas quando penso em tantas crianças ainda dou por mim a estremecer”. 

Com Páscoa Fonseca parte também a Cooperadoras da Família Carla Mão de Ferro, Educadora de Infância, com 46 anos de idade e 19 anos de entrega ao Instituto Secular das Cooperadoras da Família, Carla esteve vários anos ao serviço das crianças e dos idosos na casa das Cooperadoras em Madrid e em várias casas em Portugal. Encara este novo desafio com sentido de missão. “Nós somos missão, somos anúncio da boa nova onde quer que seja e eu estou na disponibilidade de ser o rosto de Jesus no meio daquele povo sofrido e injustiçado”, afirma.

Ir para um continente desconhecido, uma realidade tão diferente da que está habituada, é um desafio. “É o sair da minha zona de conforto, com certeza, mas é também a continuação da minha entrega. Viver nesta realidade tão diferente e com tantas carências vai-me ajudar também a ser mais humana”, explica Carla. 

Páscoa Fonseca, que já desenvolveu a sua missão em quase todas as casas das Cooperadoras em Portugal, estava atualmente à frente da creche e jardim de infância da Obra de Santa Zita na Covilhã. Considera que os meninos que vai encontrar em Angola são muito diferentes dos que vai deixar na Covilhã mas esse é um desafio que encara com grande alegria. “Aqui sinto a missão muito difícil, as pessoas vivem atarefadas. Temos dificuldade em marcar reuniões com os pais, nunca têm tempo”, explica a Cooperadora Páscoa. “Lá é mais compensador, basta ter algo para comunicar e as pessoas aparecem. Até me sinto mais jovem”, conclui Páscoa Fonseca, que acredita que o trabalho das Cooperadoras da Família nesta missão está a contribuir para a formação e a promoção de muitas famílias angolanas. 

Artigo publicado na edição de novembro do Jornal da Família

Quinta, 7 de Novembro de 2019